Pimenta Caseira (não arde tá?)

Em visita imprevista,
Embora saudável.
A Pauta invista,
Outrora, impensável.

Acnes expulsavam a vaidade.
Sorrisos traziam a beleza
Aprecio quando a verdade
é o primeiro elemento à mesa.

A trindade se fazia presente,
Lembrei ao colocar o 3 em 1 (Catchup, mostarda e maionese)
na coxinha ainda quente
Expressei o primeiro: Hum…

Saborosas bolinhas de queijo
dedos avermelhados de Doritos
Não disse o que rima com queijo
Porque precisei lavar a mão.

Ao longo das luas, aprecio já da rua, o quanto sou fascinado pelo simples. Observava as mesas dos bares nas bordas daquela avenida lotada, e concluí que não trocaria pela prosa tecida acompanhada por aquela açucarada limonada.

Ocupar lugares é diferente de estar naquele momento…

Quão amargo é encher-se do vazio…

Semelhante ao molho de pimenta (que não ardia), pensei no temperamento de algumas pessoas que demonstram serem tão boas pimentas, mas na real (sobre)vivem distantes dos nutrientes vitalícios. Aparentam acidez, exteriorizam o estado apimentado (de nostalgia, felicidade instantânea e euforia), e na verdade, carecem reafirmar os valores do sabor da vida…

Há diversas receitas de vida insossa espalhadas por aí…

O tempeiro (caseiro) do molho de pimenta (que não ardia), compõe com salgados (e doritos) a linda noite (híbrida) que brindei com limonada!

O $how tem que parar

“O cara mais underground
Que eu conheço é o diabo
Que no inferno toca cover
Das canções celestiais
Com sua banda formada
Só por anjos decaídos
A platéia pega fogo
Quando rolam os festivais…”

(Zeca Baleiro, em Heavy Metal do Senhor )

Poderia escrever muita  coisa sobre os textos que circularam com afrontas tão polêmicas (ou mesmo agressivas), relacionadas ao modo de vida que alguns cristãos se orientam (ou reproduzem) nas igrejas que frequentam…

Outro fenômeno “interessante” nesta semana, foi um vídeo tosco onde o Bispo de uma determinada igreja, ataca o Apóstolo de uma outra, ou melhor pior, ele o faz durante um ato de exorcismo, na qual o “espírito maligno”, põe as “cartas sobre a mesa”.

Não é ironia… É vergonha mesmo!

De um lado, a discrepância  entre as produções teológicas e o cotidiano da vida como ela é.

Do outro, as fantasias, fábulas e contos da carochinha do neopentecostalismo vazio – que enoja e adoece multidões em nossos dias, contaminando a fé das pessoas e conduzindo-as para um caminho ilusório e surreal, comparado ao que entendo por seguir Jesus…

É verdade que o próprio Jesus disse que na casa de seu Pai existem muitas moradas – João 14.2

No entanto, é o mesmo Jesus que afirma ser o Caminho, a Verdade e a Vida.
Ninguém encontra o Pai, se não for por meio dele.  - João 14.6

Logo, o caminho é estreito! Não é tão largo quanto um sambódromo ou ainda, tão glamuroso quanto uma passarela da São Paulo Fashion Week – mesmo algumas pessoas associando seus “cultos e eventos” desta forma, nas igrejas por aí…

Acho que a música a seguir, descreve com propriedade o que sinto quanto presencio certas cenas e “certos” (ou seria errados?) “profetas”.

Deus nos livre de uma espiritualidade que aceita qualquer barulho, absorve qualquer bagulho e, mesmo parecendo cheia (afinal de contas, possui um belo discurso, as palavras chave para aprovarem suas teses e as pautas da moda nas reuniões mais “cabeças”) – é na verdade, insossa, oca e simplória…

“Miserável, digna de compaixão, pobre, cega e está nua” - Apocalipse 3. 14-21

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I Coríntios 13

Fonte: Video Adoração

Hoje, passei a noite ao lado de um casal, da qual possuo imensa admiração. Especialmente, pela pessoa da noiva, que me conhece desde pequeno, encapou meus cadernos e tudo mais…

Faltam menos de 10 dias para a cerimônia. Fiquei desmesuradamente honrado pelos noivos confiarem todo o set list de sua festa de casamento ao meu singelo paladar musical…

A sensação de presenciar cada momento de alegria daquelas duas pessoas tem contagiado minha vida, meus dias, minha semana… Com isso, tem fortalecido algumas convicções e vem (re)direcionando meus pensamentos sobre muitas questões. Sobretudo, no que diz respeito ao Amor e suas ações e intenções.

Não poderia ir dormir sem me alimentar do texto de I Coríntios 13. Sei que é um texto conhecido por muitos, sejam cristãos ou não. E mesmo assim, muitas vezes é visto (até mesmo por cristãos) apenas como uma linda poesia. Mero equívoco! Muito mais que um poema, é realmente uma passagem desafiadora…

Nas escrituras, Paulo traz uma concepção de amor[i] muito diferente do tipo de “amor” pelo qual a cidade de Corinto era famosa. Acima de Corinto, no morro de Acrópolis ficava o templo de Afrodite, que era a deusa do amor. Sacerdotisas trabalhavam no templo em tempo integral, supostamente “purificando” os homens do pecado por meio das orgias e atos sexuais…

De fato, era desafiador amar a luz do ensinamento do Apóstolo Paulo, que apresenta no texto, posições radicalmente contrárias entre o amar em Cristo e o “amor” de Afrodite.

Sobre qual amor amamos?

Se for sob a égide da deusa Afrodite, entenderei. Até porque a lógica ocidental segue essa via. É sinal de fraqueza amar uma única pessoa. O homem que assim o faz, parece ser cafona. Os comerciais de cerveja, os reality shows e as músicas estão aí pra comprovar.

Valores como: Confiança, Fidelidade, Perdão e Arrependimento, são virtudes esquecidas – ou completamente desacreditadas em nossos dias. Importa como “Eu me sinta, o que Eu pense, e dane-se o outro” – reflexo de um super ego ou de passos que caminham distantes do caminho da cruz?

Agora, se a decisão é seguir sob a perspectiva bíblica, bem vind@! Estamos na contracorrente, inseridos em condição de contracultura. E assim como a carta de Paulo teve seu significado para os cristãos daquela época, ressalto que a passagem de I Coríntios 13 é mais que um poema: seu conteúdo representa um legado de fé, e com certeza, a maior prova de fogo –  e também de amor que possa existir.

Finalizo reproduzindo a seguir a passagem de I Coríntios 13.1-7 (da Bíblia A Mensagem)

“Se eu falar com eloqüência humana e com êxtase própria dos anjos e não tiver amor, não passarei do rangido de uma porta enferrujada.

Se eu pregar a Palavra de Deus com poder, revelando todos os mistérios e deixando tudo claro como o dia, ou se eu tiver fé para dizer a uma montanha: “Pule!” e ela pular e não tiver amor, não serei nada.

Se eu der tudo que tenho aos pobres e ainda for para a fogueira como mártir, mas não tiver amor, não cheguei a lugar algum. Assim, não importa o que eu diga, no que eu creia ou o que eu faça: sem amor, estou falido.

O amor nunca desiste.

O amor se preocupa mais com os outros que consigo mesmo.

O amor não quer o que não tem.

O amor não é esnobe,

Não tem a mente soberba,

Não se impõe sobre os outros,

Não age na base do “eu primeiro”,

Não perde as estribeiras,

Não contabiliza os pecados dos outros,

Não festeja quando os outros rastejam,

Tem prazer no desabrochar da verdade,

Tolera qualquer coisa,

Confia sempre em Deus,

Sempre procura o melhor,

Nunca olha pra trás,

Mas prossegue até o fim.

* Compartilho também este som, do Bola de Neve…

Aos noivos, Adriana e César

[i]  Baseado no amor ágape, na unidade da igreja, no Ser e glorificar a Deus por amor como um corpo, no sofrer por amor a causa de Cristo.  No entanto, não teria condições de explorar a idéia neste post. Teremos próximos…

Extremidade Explosiva

A sinceridade do coração é capaz de provocar explosões inimagináveis!

Qualquer estouro incomoda as proximidades. Não seria diferente…

“Parece que pareço incomodar”.

Efeito borboleta, ampulheta ou ioiô?

Seja deles qual for…

 

Grato estou!

E sempre estarei…

A vida é única e optei fazer dela lúdica!

Hoje disse que não é tempo da poesia…

 

Caros, eu não caí. Senhor, eis me aqui…

Acontece que a caminhada figurada é inata!

Independe de sensações, optei pela simplicidade de admitir as fraquezas…

Há semblantes acinzentados, e mesmo com roupas coloridas,

Têm suas doses de (in)certezas…

 

Ora, se vejo mortos que vivem,

Por que não haveria os “felizes tristes”?

 

“Não quero faca, nem queijo. Quero a fome”. – Diria uma das minhas poetizas favoritas.

 

Desse modo, dedico aos poucos de tamanha preciosidade:

Não há preço que pague aquilo que tanto valem…

Pode algo implodir duma velha-nova amizade?

 

TombosTropeçosDesequilíbrios

Quem anda de skate sabe bem o que é isso!

 

A serpente tentara me convencer com sua sofisma:

Desista! Descreia! Despreze! Deseje…

Respondi: Sigo aquele que tudo passou…

Sentiu! Sofreu!  Suportou! E venceu!

Conheço quem me consola…

 

Melhor os passos lentos, na trilha estreita, de fardo leve;

Do que aceitar seus manjares, seu guizo e seu barulho.

Afinal de contas, o maior motivo da Queda, foi o orgulho[i]!

 

Que o momento implosivo provoque mudanças internas, para que quando explodirem, contagiem as dimensões externas.

Aviso: O presente é como um campo minado, lotado de dinamites e contém uma bomba relógio. Certifique-se do que almeja… Antes que seja… Booooooooooooooooooooom!!!


[i] “Primeiro vem o orgulho; depois, a queda quanto maior é o ego, maior é o tombo”.
(Provérbios 16.18 – A Mensagem)

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Stand Up Comedy

Eu bem que tentei… E, venho tentando…
Mas (ainda) não consegui ir ao show do  U2.
Desisti cedo! Tentei o primeiro e o segundo lote.
Hoje, tentaria o terceiro lote para ver a turnê 360º…

Lembrei que era época de amigo secreto, quando solicitei por obséquio, claro, um singelo par de ingressos para assistir ao show do U2. Mesmo assim, uma amiga me consolou com uma edição especial do CD “No Line On The Horizon” e de quebra, um DVD com com canções da década de 80.

Gosto muito das faixas do CD que fui presenteado. “Magnificent” é a favorita. Já postei a música aqui

Contudo, vale um destaque para a canção Stand Up Comedy. Encontrei o video na internet, que contém a legenda em português e os preparativos do palco, da turnê U2 360º.

O trecho:

“I can stand up for hope, faith, love. But while I´m getting over certainty, Stop helping God across the road like a little old lady”

Eu posso erguer-me pela esperança, fé, amor. Mas enquanto estou ficando mais seguro, Pare de ajudar Deus pela rua como uma velhinha”.

. Foi suficiente para que eu escutasse insistentemente a mesma faixa, por um longo período.

Outra, bastante pertinente para refletir é:

“I gotta stand up to ego but my ego´s not really the enemy
Eu tenho que enfrentar o ego, mas meu ego não é realmente o inimigo”

Concordo com Bono.

O enfrentamento do ego é necessário, mas parece precário o reconhecimento de que o ego não é o real inimigo.

. Tenho a sensação que as pessoas agem assim:

Patética ética atlética da lógica estética sustenta exteriorizar na racionalidade aquilo que é sentido, mesmo justificado ao avesso!

Me parece que a muita flexibilidade, o pluralismo exacerbado e o “tudo pode”, caminham para um certo esfolamento, onde não há concretude. Trazendo uma sensação de jamais  por os pés no chão.

Encerro com as recomendações de Jesus:

“Não resistam o maligno, mas se alguém oferecer a face…” (Mateus 5.38-39)

Talvez para alguns, a ideia de “inimigo” não passe da poesia contida na letra da música do U2.

Talvez para outros, as palavras de Jesus não façam sentido. Ouvi repetidas vezes isso, durante a semana. E essa ideia de mal possa estar ligado a sei lá o quê… (por que eu deveria tentar entender as coisas que não se vêem?!)

Outros ainda, talvez entendam a vida como um grande parque de diversões, ou porquê não, como uma comédia Stand Up?

Veja a letra e tradução da música em: http://letras.terra.com.br/u2/1434914/#traducao

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O que os olhos não vêem…

Quem me conhece bem, sabe o quanto resisti até aceitar que armações passassem a integrar o meu rosto. Primeiro, a preocupação era estética. Era só o que faltava: se não bastasse a face oleosa que tenho e os acnes invencíveis, pois não são expelidos com nenhuma das duzentas pomadas e remédios que a médica já prescrevera, nunca imaginei inserir um novo objeto na expressão facial. Jamais pensei que seria tão dependente dos meus óculos. Hoje, durmo com eles nas leituras noturnas, cochilo nas silenciosas reflexões da tarde e os procuro rapidamente nas manhãs…
Obrigado pelo incentivo (broncas e exortações para que eu fizesse novamente o exame).

Mesmo aderindo aos óculos, seja o modelo um tanto esdrúxulo ou o azul quadriculado, admito que há tempos, não olhava o mundo da maneira que tenho enxergado nesses dias. Teria as lágrimas um efeito semelhante ao do colírio, sendo responsáveis pela limpeza, purificação da visão e da amplitude da ótica?

Acompanhar uma pessoa idosa, com muita dificuldade de mobilidade, a uma Clínica de Olhos durante a tarde, colocou-me numa condição de achar em muitos momentos, que o grau usado em minhas lentes parecia estar vencido…

A forma que ela olhava o mundo pela janela entreaberta dos vidros insufilmados daquela Kombi, interrompeu o movimento de minhas pálpebras por minutos…

Após exclamar que não saía de casa há mais de três anos;
que não conhecia um Shopping Center;
e que sua última viagem à praia fora há quase cinqüenta anos atrás…

Fiquei cego! Ou pelo menos, sem ver mais nada no trajeto!

A primeira imagem que visualizei quando chegamos ao local, foi dos pés inchados, feridos e imolados daquela senhora. Depois do esforço pra desembarcá-la do veículo, estendi uma das mãos tentando impedir o fluxo de carros por alguns minutos. Sim, pois a lentidão da travessia provocou trânsito, determinado stress nos condutores e claro, em seguida, muitas buzinadas, que reduziam quando “viam” aquela pessoa inchada com sua bengala.

Embora possua Carteira de Habilitação, nunca havia conduzido uma pessoa numa cadeira de rodas. Via os corredores do hospital por outro ângulo. Cada quina, valeta, papel era um obstáculo, só notava quando a cadeira enguiçava.
Existem obstáculos que não se vêem…  (Efésios 6.12)

A consulta ocorreu no departamento de oftalmologia. Foi notável o olhar da médica enquanto atendia à senhora. Talvez seu cheiro de roupas mofadas não tivesse compatibilidade com a fragrância do perfume importado o que gerou choque e uma expressão um tanto daltônica da parte da doutora. De repente, o lápis no olho, a maquiagem da sexta feira e as três vezes que mexeu no celular, a impediu de visualizar os pés (inchados, feridos e imolados) de sua paciente. Afinal de contas, se eu dissesse isso a ela, poderia ouvir que sua especialidade é olhos, e não pés. Não é mesmo?!

Ao sair do Hospital, tirei os óculos, esfreguei os olhos, pedi Àquele que tudo vê, que me permitisse enxergar sempre sob esta ótica…

Logo após, fui dialogar sobre coisas que os olhos não vêem. Nestes dias, especialmente, tenho visto gente morta diariamente. Algumas, tão cheias de conhecimento, tão interessantes, mas mortas…

Agradeço pela humildade dos ouvidos cedidos que corresponderam com experiências semelhantes sobre assuntos que os olhos não conseguem visualizar.

Para alguns, esses papos são fora de moda. Não convém ou é mera loucura. Concordo, com o termo loucura… (I Coríntios 1.27)

Via no metrô pessoas com deficiência visual. Não é disso que me refiro. Difícil, foi enxergar cegos que possuem visão, mas não enxergam…

Olhares rancorosos se trocavam. Olhares maliciosos se cruzavam. Olhares cansados pensavam com a cabeça inclinada na janela do ônibus. Olhares liam o livro. Um olhar lia a Bíblia. Um outro olhar não parava de me encarar…

É necessário meditar de vista fechada pra enxergar o que os olhos não vêem.

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Mais que Um Mero Poema

Margaret Mead

São poucos os que falam,  escrevem, cantam (gritam) e agem conforme a verdadeira  intenção do coração…
Por vezes,  não admitimos isso, ou ainda, resistimos aquilo que nos incomoda e parece nos sufocar lá no íntimo.
Há tempos admiro o som do Rosa de Saron. Além de ótimas letras…

Lindo mesmo é saber que cantam com as intenções do coração…

É necessário ouvir a voz d”Aquele que orienta o coração, do contrário, qualquer ação, ainda que (aparentemente bem) pensada, pode ser enganosa -  Jr. 17.9 (Leia aqui)

Que o Eterno preencha nossos corações e nos permita verbalizar as verdadeiras intenções.

Lucas 6.45 e João 1.1-15

(Rosa de Saron – Mais que um mero poema)

Parece estranho
Sinto o mundo girando ao contrário
Foi o amor que fugiu da sua casa
E tudo se perdeu no tempo É triste e real
Eu vejo gente se enfrentando
Por um prato de comida
Água é saliva
Êxtase é alívio, traz o fim dos dias

E enquanto muitos dormem, outros se contorcem
É o frio que segue o rumo e com ele a sua sorte

Você não viu?
Quantas vezes já te alertaram
Que a Terra vai sair de cartaz
E com ela todos que atuaram?

E nada muda, é sempre tão igual
A vida segue a sina
Mães enterram filhos, filhos perdem amigos
Amigos matam primos

Jogam os corpos nas margens dos rios contaminados
por gigantes barcos
Aquilo no retrato é sangue ou óleo negro?

Aqui jaz um coração que bateu na sua porta
às 7 da manhã
Querendo sua atenção, pedindo a esmola de um simples amanhã

Faça uma criança, plante uma semente
Escreva um livro e que ele ensine algo de bom
A vida é mais que um mero poema

Ela é real
É pão e circo, veja
A cada dose destilada,
um acidente que alcooliza o ambiente

Estraga qualquer face limpa
De balada em balada vale tudo
E as meninas
Das barrigas tiram os filhos,
calam seus meninos

Selam seus destinos
São apenas mais duas histórias destruídas
Há tantas cores vivas caçando outras peles
Movimentando a grife

A moda agora é o humilhado engraxando seu sapato
Em qualquer caso, é apenas mais um chato
Aqui jaz um coração que bateu na sua porta às 7 da manhã

Querendo sua atenção, pedindo a esmola
de um simples amanhã

Faça uma criança, plante uma semente
Escreva um livro e que ele ensine algo de bom
A vida é mais que um mero poema
Ela é real

E ainda que a velha mania de sair pela tangente
Saia pela culatra
O que se faz aqui, ainda se paga aqui
Deus deu mais que ar, coração e lar

Deu livre arbítrio
E o que você faz?
E o que você faz?
Aqui jaz um coração

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Oração: O que? Por que? Como?

Enquanto coletava algumas leituras e textos bíblicos para elaborar um post sobre a importância da oração (para a vida, para a fé, para a espiritualidade, para aquilo que não vemos e, sobretudo, para nos relacionarmos com Deus), acabei encontrando este excelente texto, publicado no site do Projeto 242, uma Comunidade de Fé que aprecio com muito respeito e admiração.
Decidi adiar minha publicação ao ler o artigo “Oração: O que? Por que? Como?” -  pois, fui contemplado pelo conteúdo do material e concordo plenamente com as afirmações.

Caminho preocupado com tendências da teologia moderna,  que desdenham de certa forma, da extrema importância da oração e faz defesa de que apenas o fato de falarmos sobre as coisas de Deus, já nos põe em condição de oração. Discordo desse fluxo de teorias…

Por meio da oração, adoramos, confessamos, pedimos, intercedemos, agradecemos e mantemo-nos em sintonia com Deus.

Não quero nem pensar como seriam esses dias, se não fosse a misericórdia de Deus, que tem ouvido as súplicas, o clamor e as intercessões.

E Ele vem ouvindo… Creio e sinto isso!

Como disse o Tião:  “Todo tanto que eu oro é pouco!

(Abaixo da imagem, inicia na íntegra o artigo “Oração: O que? Por que? Como?)

“A pergunta é: Quanto dessa fé persistente o Filho do Homem vai encontrar na terra quando voltar.”

É impressão minha ou está se tornando comum hoje em dia dizer que não é preciso orar, que oração é tudo que fazemos, o tempo todo? É impressão minha ou a oração está desaparecendo da experiência cristã, principalmente entre os cristãos pensantes ou reflexivos?

Duas décadas atrás, Caio Fábio já sinalizava este fenômeno, chamando esta geração de “uma geração que desaprendeu a orar” em seu livro Oração Para Viver e Morrer. As causas para isto, apontadas por ele na época, eram: a sociedade moderna, a miséria de muitos, a dicotomia orar ou fazer, a teologia liberal e o pentecostalismo sem piedade. 

Se ele estava certo (e, em minha opinião, estava), não é nenhuma surpresa que a oração esteja desaparecendo rapidamente da prática cristã atual.

Uma das razões que ouço pela qual pessoas se recusam a orar é que, segundo elas, a oração se tornou um ritual religioso. E esta é a geração que tem alergia a rituais e total desprezo por religiosidade. Toda a nossa vida deve ser uma oração, dizem eles.

É verdade que o apóstolo Paulo falou sobre orar o tempo todo em espírito e certamente muito do que se chama de oração não reflete o ensinamento bíblico. Mas é preciso ser muito ignorante da Bíblia (ou rejeitá-la por completo) para assumir uma postura tão reducionista em relação a oração.

Osmar Ludovido em Meditatio reconhece a tensão e equilíbrio que existe entre a oração privada e pública, entre a vida comum na igreja e a vida interior do cristão. Segundo ele, “a ênfase e valorização de apenas um desses aspectos em detrimento do outro conduz, inevitavelmente, ao empobrecimento da vida cristã.” Ele diz: “Manter comunhão e orar com a igreja nos ajuda a crescer na fé, na esperança e no amor, mas nada substitui a necessidade irresistível do recolhimento para dialogar com Cristo na intimidade do coração.”

Jesus e a oração

Basta olhar para a vida de Jesus para entender o que é oração e como deve ser uma vida de oração. Jesus orava, muitas vezes sozinho, separado da agitação do cotidiano, outras vezes em público, na presença de seus discípulos e até das multidões que o seguiam.

Quando os discípulos vieram a Jesus e pediram-lhe: “Mestre, ensina-nos a orar”, Jesus não respondeu-lhes dizendo: “Orar? Pra que? Vocês já estão orando quando estão conversando uns com os outros, quando estão apreciando a natureza, quando estão tirando uma soneca…” Em vez disso, Jesus deu-lhes instruções bem claras sobre como orar. Por meio de sua vida e seus ensinamentos, Jesus nos orienta quanto ao conteúdo de nossas orações, quanto a atitude com que devemos orar e com que frequência orar. Jesus nos manda orar (sim, ele dá uma ordem!). Dizer que está seguindo Jesus e, ao mesmo tempo, não se dedicar a prática da oração é um contra-senso.

Mas o que é oração? Por que orar? Como orar?

Oração é comunicação com Deus

O monge beneditino alemão Anselm Grün diz que a oração é um diálogo entre o homem e Deus. Grün fala da oração como um encontro: com Deus, consigo mesmo e com o próximo. Gerardus van der Leeuw, teólogo holandês, diz que a oração é essencialmente um diálogo. Ambos parecem estar fazendo eco a Clemente de Alexandria que disse: “orar é manter companhia de Deus.”

Em seu livro sobre oração, Caio Fábio diz que a oração é “o único meio pelo qual se pode genuinamente desenvolver uma sadia visão de Deus, da Igreja, do mundo e da missão do povo de Deus na história. (…) Sem oração, a vivência da fé não passa de reflexão banal ou presunçosa ação. (…) A oração é a forma mais dramática de manifestar o desejo pela presença de Deus na vida. (…) A oração é o mais forte instrumento de afirmação do Ser. Quem ora, fala com o Ser dos seres e com Aquele que é a origem de todos os seres que sabem que existem.”

Se orar é tudo isso, por que não oramos, ou oramos tão pouco?

Talvez porque, como diz James Houston em Orar Com Deus, “se achamos difícil formar relacionamentos duradouros com nossos semelhantes, acharemos muito mais difícil nos relacionarmos em qualquer profundidade com Deus, ao qual não podemos ver.”

Se Deus sabe tudo, por que orar?

A Bíblia apresenta Deus como conhecedor de todas as coisas. A despeito do que especulam certos teólogos modernos, é impossível ler a Bíblia e não perceber Deus como Aquele que sabe tudo, diante de Quem não existe nada encoberto. Anselm Grün reconhece esta tensão entre o conhecimento de Deus e a oração ao dizer: “Deus certamente sabe tudo e não tem necessidade da minha oração, mas eu necessito dela.”
Caio Fábio diz: “Deve-se orar porque mediante sua prática o espírito humano explícita de maneira verbal o seu desejo de Deus. Pela oração a alma confessa sua fome da divindade. Pela oração o Ser humano diz a Deus o quanto o Criador e Redentor é objeto da satisfação dos anelos mais profundos da criatura redimida e consciente do seu criador.”
Deus não precisa da minha oração. Sou eu quem preciso dela. A oração me aproxima de Deus, revela minha dependência, minha fome e sede por Sua vontade, seu Reino, sua pessoa. A oração muda principalmente a mim – minha visão de Deus, do próximo, das circunstâncias. Esta foi a resposta dada por C.S. Lewis quando lhe questionaram sobre o por que ele orava em favor de sua esposa com câncer.
Richard Foster, que é famoso pelos seus livros sobre espiritualidade, diz que “a oração é a principal de todas as disciplinas espirituais” pois ela “nos leva ao agir mais profundo e elevado do espírito humano.” Segundo ele, “orar é mudar” e “a oração é a principal via usada por Deus para nos transformar”. Para Anselm Grün, mesmo a intercessão, a oração pelo próximo, transforma em primeiro lugar a mim mesmo. “Vejo o outro com novos olhos, não mais a partir da minha raiva ou da minha desilusão, e sim a partir de Deus.” A oração “torna possível uma nova comunhão.”

Como orar?

Tendo explorado o tema da oração como um encontro com Deus que, mesmo conhecendo tudo a nosso respeito, nos convida a falar com Ele para que sejamos transformados no processo, resta-nos considerar algumas sugestões de como orar, baseado na narrativa de Lucas 18.

Primeiro, proponho que nossa oração seja como a de alguém que entende sua total dependência de Deus. Os personagens na narrativa de Lucas 18 são totalmente dependentes de justiça (viúva), perdão (publicano/pecador), amor e cuidado (crianças) e direção (cego). A oração é uma forma de confissão de nossa insuficiência, de nossa limitação, de nossa incapacidade de lidar com os dramas e mistérios da vida.

Segundo, proponho que nossa oração deva ser caracterizada pela insistência (perseverança) da viúva, a contrição do pecador, a inocência das crianças (sem formalismos) e a fé do cego.

Terceiro, proponho que a oração deva ser acompanha das Escrituras. P. T. Forsyth disse que “o estudo da Bíblia e a oração caminham de mãos dadas. O que recebemos pela mensagem da Bíblia, devolvemos a ele com interesse em oração. A oração é para nós, paradoxalmente, uma dádiva e uma conquista, uma graça e um dever.” Precisamos recuperar a arte de aprender a orar com os Salmos, o livro de oração usado pelo próprio Senhor Jesus.

Finalmente, concluo com as palavras de Caio Fábio: “Coincidentemente, os cristãos mais maduros que eu conheço são aqueles que mais oram. De fato, penso que há uma coincidência entre oração e maturidade humana. Ou seja: uma incide sobre a outra. O ser humano se torna mais humano quanto mais ele contemple o Criador.”

(Esboço do sermão pregado por Sandro Baggio no Projeto 242 em 01 de Maio de 2011)

Fonte: http://www.projeto242.com/v1/?p=451

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Meu tempo é quando

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

Vinicius de Moraes, em Poética I
(1913-1980)

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Gotas (salgadas) na chuva

Em tempos como estes, costumam aconselhar que andemos com o guarda-chuva em nossas malas, bolsas, mochilas…

Carrego o necessário em minha mochila. No entanto, não abro mão dos itens essenciais para o cotidiano urbano. Por vezes, carregá-los aparenta excesso de peso, desleixo ou preguiça. Nunca é tarde porque logo, o agora passará.

Sei o valor das coisas que carrego em minha bagagem. Não é momento de desfazer de nada… Prefiro carregar tudo o que agreguei em minha história. Sei que chegará o momento devido para utilizar cada item. Seja o pente, o desodorante, o livro, a toalha, a caneta, as moedas, o guarda-chuva.

Nesta manhã, caminhava sobre as pequenas poças de água feitas nos buracos da calçada pelas gotas da chuva que, por opção, decidi deixá-las me encharcarem. Em alguns momentos, o único percurso da trilha, encontra-se esburacado, danificado e lesionado. O solo desértico transcende as estações do ano e as manifestações climáticas. Permeia as situações com sua condição árida e despovoada.

Após percorrer boa parte do trajeto com pegadas molhadas e pensamentos secos, não discernia que tipo de água escorria em meu rosto: se aquela insípida, que caí do céu, ou a de gosto salgado, que jorra da fonte de tudo o que é sentido, mas nem sempre, é passível de explicação.

Embora ensopado, segui com minha bagagem, mesmo sabendo que o guarda-chuva estava dentro da mochila. Concordo que há tempo para todas as coisas. Tanto que, a chuva serve para desenvolver, fortalecer e permitir crescer tudo o que fora plantado.

Não se arranca o plantio e nem se joga itens fora da mochila em tempos de chuva…

Por isso, tive sede mesmo molhado…
Só há uma água que sacia… (João 4.14)

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