Tropecei num carrinho de mão cheio de mandiocas

A boca de lobo nada fala.

O ralo é raso e o esgoto, fundo.

Calçada abriga papéis de bala,

E gente que faz da rua, mundo…

Cansado de ideias que não cabem no chão.

Na caminhada vespertina,

avistei um jovem que vendia mandiocas

e conduzia um carrinho,

de mão.

O boné escondia seu rosto,

porque outros da mesma idade cruzavam a rua

com mochilas e livros,

nas mãos.

Ali tropecei na vergonha…
Até parece nessa era que raízes não dão frutos…
Como é possível vislumbrar o céu se ando olhando para baixo?

Acaso aquele jovem não tem sonho?

Ocorre que há 03 dias fico sem sono.

Na esquina, o avistei
novamente.

E mais uma vez,

o ângulo perdi.

(Senhor)

o que fizeram os pais dele,

para que,

simplesmente,

permanecesse ali?

Minha voz não saía.

Gaguejava o “bom dia!”.

Então gritei pra dentro:

Oh Deus!
Pranteio pelos sonhos deste
menino.

Dê cor aquele rosto marrom
mofino.

Que sejam férteis, felizes, firmes e fortes assim:
Como a mandioca, macaxeira, uaipi ou aipim.

Precisa-se de um plantio de oportunidades…

Procura-se por (im)plantadores de sonhos…

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